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Catálogo digital do filme Paralelos Trágicos é lançado no MIS

Evento no Museu da Imagem e do Som destaca história do longa regional e documentação inédita.

29/04/2026 às 13:20
Por: Redação

Um dos filmes mais intrigantes do cinema regional brasileiro, "Paralelos Trágicos", é destacado em um novo catálogo digital. O jornalista e escritor Rodrigo Teixeira apresenta este trabalho inédito no auditório do Museu da Imagem e do Som, em Campo Grande, nesta quinta-feira (29), às 19 horas.

 

Intitulado Em Busca do Lendário Paralelos Trágicos, o catálogo é fruto de investigações que retraçam a trajetória do filme dirigido pelos irmãos Bernardo Elias Lahdo e Abboud Lahdo. Com base em documentos, ele desconstrói a narrativa do desaparecimento que envolveu a obra por décadas.

 

O catálogo reúne 215 reportagens publicadas de 1964 a 2024, cobrindo cinco Estados brasileiros e o Distrito Federal, e confirma a preservação de materiais em 35 mm na Cinemateca Brasileira, com potencial de restauração. Bernardo Lahdo possui ainda uma cópia em 16 mm. O catálogo pode ser acessado gratuitamente no blog Matula Cultural e inclui um vídeo em LIBRAS, produzido pela tradutora Alessandra Souza, disponível no YouTube do projeto.

 

Desenvolvido com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) através do Ministério da Cultura, o projeto é gerido pelo Governo de Mato Grosso do Sul, via Fundação de Cultura de MS.

 

A obra Paralelos Trágicos permaneceu presente na esfera pública ao longo de 60 anos, sendo frequentemente citada e discutida. O catálogo inclui textos de Rodrigo Teixeira e Gabriela Pingarilho, trazendo uma rica contextualização sobre a produção cinematográfica no Brasil além do eixo Rio-São Paulo.

 

Filmado entre 1965 e 1966 e estreado no Cine Alhambra, em 1967, "Paralelos Trágicos" é considerado o primeiro longa de ficção do então Mato Grosso uno. Baseado no romance homônimo de Bernardo Lahdo, o filme foi amplamente divulgado na imprensa da época.

 

Exibições em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília entre 1967 e 1971 são documentadas, um feito notável para uma produção independente. O projeto demonstra conexões com personalidades como Hermínio Gimenez, Claude Lelouch e Rogério Sganzerla. O elenco era composto majoritariamente por moradores de Campo Grande, inexperientes em cinema.

 

O incêndio do Cine Acapulco em 2000, que destruiu a cópia original em 35 mm, gerou rumores de que o filme estava perdido. Porém, com o surgimento do catálogo, comprova-se a preservação de materiais significativos do filme desde 1989 na Cinemateca Brasileira e a existência da cópia de Lahdo.

 

Paralelamente, a carreira de Bernardo como escritor, marcada por sucessos e censura na época da ditadura, consolidou-se com obras notáveis. Aos 28 anos, foi o mais jovem a integrar a Academia Mato-Grossense de Letras.

 

O catálogo não só resgata a história de "Paralelos Trágicos", mas celebra sua persistência na memória cultural do Brasil. Com Bernardo completando 81 anos e Abboud 90, o catálogo marca um momento de reconhecimento histórico.

 

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